sem papel

Sábado, Março 31, 2007



eu gosto muito do rio.
juro: meu projeto de vida é morrer baleado lá em ipanema. apesar de tudo, eu ainda continuo achando o rio o melhor lugar do mundo para se viver. sou mineiro de nascimento, carioca de coração e brasileiro por filhadaputagem do destino, costumo dizer.

mas graças a minhanossassenhoradoperpétuossocorro, não vou ter nunca que colocar um filho pra estudar nas escolas públicas do rio de janeiro. é que, como se não bastasse a péssima qualidade de ensino que todos já conhecem agora tem mais essa: mv bill apresenta projeto de lei à assembléia legislativa que propõe o ensino de funk nas escolas fluminenses" .

repito minha vó: é o fim do mundo. tudo bem que o povo toque tambor, fique atoladinho, atoladinho. nada contra o funk em si. mas ensinar isso nas escolas não faz o menor sentido.
mv bill representa o que há de pior na sociedade brasileira: pessoas que fazem da pobreza seu discurso, seu meio de vida, é a glamourização do preto-favelado. o que gente como ele quer não é realmente atacar as causas da pobreza, mas criar uma bipolaridade ricos-brancos x pobres-pretos. diga-se de passagem que, embora se auto-proclamem a "voz da periferia", esses "artistas" como mv bill, são o novo fetiche dos endinheirados ecologicamente corretos. ele adora vender seus livrinhos pras peruas de são paulo.

toma chá com croissants na daslu e caga na cidade de deus.

ele está sempre onde tem dinheiro: seja na globo, na assembléia, na daslu. sempre com um projetinho debaixo do braço pra apresentar. é o assalto-com-classe. ao invés de apontar uma arma ele diz: "sou pobre e escrevo livros. agora, passe-me o dinheiro".
que a eliana-sonegadora-tranchesi lhe dê croissants, tudo bem. mas que o contribuinte do estado do rio seja obrigado a sustentar gente assim, é lamentável.

isso é retrato de um país atoladinho, atoladinho.
só nos resta ficar descontrolados.
só nos resta ser baleados em ipanema.


pitacos:

Quarta-feira, Março 28, 2007


problemáticas da vida-pós-moderna-contemporânea-atual-dos-nossos-dias-de-hoje.

a história (baseada em fatos reais): ela conheceu ele aos 17. ele já havia pegado outras, mas ele era o primeiro namorado dela. namoraram 5 anos. casaram-se. lua de mel em cabo frio. 7 anos de casamento. ela ama ele -não há dúvida. ele diz que ama ela. ela tem 29 anos ele, 34. ela gosta do jeito que ele trepa. ele gosta de comer ela. depois que copulam, ela vai fazer café e ele vai vai fazer xixi. mas ela se pergunta: "será que sexo é isso mesmo?". ela é e sempre foi mulher de um homem só: só fez senvergonhage com ele. ela sente falta de outras experiências. ela não tem base de comparação. "e se aquele meu vizinho for melhor?". afinal, "só se sabe que o suco de maracujá é melhor do que o de abacaxi, depois de experimentar os dois". ela ama ele, repito.

então, ela fica se colocando as alternativas:

1) ela trai ele. paga um garoto de programa ou dá pro vizinho. só pra experimentar.

2) chega pra ele e diz: topa fazer um swing? e fica esperando o murro na fuça.

3) esquece a vontade e se conforma.

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eis a questão.


pitacos:

Sábado, Março 24, 2007


dicas para fazer do rafael uma pessoa mais feliz

1) não chame qualquer vasilha de plástico de tupperware

2) não seja insistente.

3) me dê plásticos bolha pra estourar.

4) se você é artista de rua, cospe fogo no semáforo, dança lambada na igreja, passa uma tinta esquisita cinza no corpo e se finge de estátua, ok. seja feliz. mas não me peça dinheiro por isso.

5) me convide para fazer coisas diferentes. eu disse diferentes, nada de coisas alternativas como conhecer o grupo-afro-crianças-que-tocam-tambor-na-favela.

6) não confunda educação com amizade.

7) venha me visitar [se eu o convidei].

8) diga "nossa, como você está magro", principalmente nos dias em que eu parecer mais gordo.

9) não peça meus livros emprestados.

10) diga que você, assim como eu, não perdia caça talentos.




pitacos:

Segunda-feira, Março 19, 2007




talvez a luta histórica do ser humano seja contra o esquecimento. Nunca conseguimos lidar com a idéia de que tudo é irremediavelmente perecível e que, por mais que nos esforcemos, micro-partículas de vida sempre irão embora.

é biológico: para acumularmos mais conhecimentos, precisamos esquecer do nome da professora de geografia da sétima série, do número do seu antigo celular. Acontece que não gostamos disso. Estamos o tempo todo criando mecanismos-de-lembrança - simbólicos ou não. O youtube, o celular com agenda, os fotologs da vida, nada mais são do que elementos dessa cruzada atávica anti-esquecimento. Precisamos que um acontecimento -banal ou não - seja eternizado. por isso, fotos, scraps, recados, flores, despertadores. na rotina, a banalidade é esquecida. é preciso, portanto, celebrizar o banal.

virou febre fazer vídeos com fotos, uma música emotiva, talvez um poema e tacá-los no youtube. como se o online transformasse o experenciado em documento. quando acabamos de assistir a um vídeo, aparece em seguida o ícone "watch angain". isso talvez definiria tudo: o "again" é o que necessitamos para nos constituirmos enquanto indivíduo. só existimos se somos lembrados.

mas isso não é coisa de hoje. um mínimo conhecimento de antropologia social revela que as sociedades humanas sempre se ancoraram em ritos: a ritualização do cotidiano permite que o acontecimento ganhe "importância", seja "lembrável". O rito protege da não-memória. É o índio fazendo urru-urru-urru e rodopiando antes de ir caçar. É a mãe preparando o enxoval da filha. É sua prima lhe mandando o convite da festa de 15 anos. Somos nós postando fotos.

Sem mais, deixo quem sabe falar, falar por mim:

" Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados"

(Vinicius de Moraes)

"mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era...
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
(...)

tão reais que
se apagaram para sempre"

(Ferreira Gullar)


pitacos:

Sábado, Março 17, 2007




uma das grandes frustações da minha vida brasileira-tropical-tupiniquim-requebra-até-embaixo é me dar conta de que as melhores coisas do mundo, decididamente, não chegam até aqui.

poisé. dia 22 a h&m no mundo todo - menos do brasil - começa a vender a coleção da madonna. tipo, agora meio que virou rotina o povo-vip lançar suas próprias coleções. nem sempre dá certo [vide jennifer lopez]. mas o fato é que eu gostei muito das coisas que vi. na verdade, estou semi-em-depressão-por não ter acesso "as roupitas.

graças a deus, finalmente, os estilistas estão dando a oportunidade à nós, pessoas irremediavelmente baixas, e colocando as peças acima do joelho. pelo menos essa tendência parece já ter sido captada por aqui. palmas pra grife carioca reserva.
confesso que ainda não tenho coragem pra conjugar essas sandálias de couro cortadas em vê. um dia quem sabe.



mocoilas, vocês sempre me matam de raiva, porque 99,9% de todo o investimento das coleções fica nas peças femininas. e se eu vir uma de vocês com uma dessas coisas abaixo, eu agarro e trepo.


pitacos:

Quinta-feira, Março 15, 2007




notícia enviada pela paula:


agora vai ter boneca com dawn.

é. a menina da novela virou boneca. todo mundo acha bonitinho uma-criança-com-dawn-que-fala-monçã-bunita, como se uma pessoa que tem dawn fosse menos capaz de atuar na tv. ou seja: todo mundo via a menina na novela e falava, olha que gracinha, nem parece que tem síndrome de down.

agora, as mães-ecologicamente-corretas vão distribuir bonecas com dawn pras filhinhas. toma, filhinha, é quase igual a outra.

não quebra preconceito glamourizando as diferenças, mas mostrando que somos todos, ao seu modo, diferentes, mas nem por isso inferiores.


pitacos:

Segunda-feira, Março 12, 2007


essa semana completou um mês da morte do menino joão hélio, arrastado por 7kms nos no rio.
todo mundo ficou horrorizado, comovido, fizeram um furdunço. até eu que não dou pra isso, coloquei nesse blog um post de indignação.
acontece que esse país é essa merda, não é a toa. a nossa coletividade é assustadoramente ignorante. nenhum outro povo no mundo consegue ser tão imbecil quanto nós. custamos a discutir as coisas de modo coerente; não vemos as coisas como elas devem ser vistas.

o garoto foi assassinado cruelmente por um grupo de bandidos. dentre os quais, um menor. aí, esquecemos do crime enquanto instância para tratá-lo como contingência. começamos um debate idiota sobre a redução da maioridade criminal. e uns gritam: mas se jovens podem votar, porque não podem ser responsabilizados pelos crimes?. e outros onguistas insuportáveis dizem: não, o que os nossos jovens precisam é de escola.

tudo tempo perdido.

deveríamos discutir a criminalidade. pouco importa se vamos ou não reduzir a maioridade penal. essa não é a questão. o que vale mesmo é a certeza da punição. bandido não precisa de escola, não precisa de tocar tambor no afrorregue. precisa de cadeia. e bandido é bandido, não importa se tem 38 ou 11 anos. de nada resolverá se aumentarmos a rigorisidade, se o sistema judiciário continuar poroso e falido.

os pais de joão hélio fizeram uma caminhada e rezaram um missa na semana passada em memória do garoto. todo mundo solta pomba branca e pede paz. senhores, paz é pro iraque, afeganistão ou qualquer outra merda. o que o brasil precisa não é de pomba branca. é de justiça.


pitacos:

Sexta-feira, Março 09, 2007


dia de doméstica mesmo: levantei, passei pano na casa toda e fui pro mercadão
rodei, rodei e não achei aspargos frescos pra comprar.
porisso, lamento decepcioná-los, mas o pene teve que ficar pra outro dia. [mas pelo menos achei manjerona, que estava procurando há décadas].

enfim, fiz o peito de chester-com-coisas-que-o-rafael-ama.
peguem o caderninho e anotem.

junte:

alho poró+ salsinha e cebolinha(com talo) + pimentão + polpa de limão + tomate e cebolas +berinjela + abobrinha + batatas pré-cozidas + peito de chester picado de qualquer jeito . taca tudo numa tupperware e mistura (devagar senão amassaga tudo). pode colocar curry tb.

faça um envolepe com papel alumínio. e coloque as coisas lá dentro. feche bem pro ar num sair.



forno por uns 20 minutos. (o tempo que eu demorei pra tomar banho)


coma.

ps:
1) cuidado na hora de abrir o papel alumínio. vai sair um mega-vapor.
2)eu não sei decorar pratos.



pitacos:

Quinta-feira, Março 08, 2007




e hoje é o dia das mulheres.
e d&g lança na italia e na espanha uma campanha com a foto acima.
e o povo dá chilique. disseram que a imagem ofendia as mulheres. como se elas gostassem de ser dominadas. depois do cgil pedir um boicote à marca, os estilistas resolveram retirar o anúncio.
vem cá, super-desnecessário o chilique. coisa de italiano a toa.

primeiro, as mulheres gostam sim de serem dominadas...é coisa da alma femina. desde que o mundo é mundo sempre foi assim. o homem por cima, a mulher por baixo [estou falando de séquisso, ok?!]. elas podem sair pra trabalhar, dirigir, queimar sutiã, falar no saia justa, mas a verdade é que, essencialmente, elas precisam de uma sensação de proteção. coisa de dê-ene-há. e nada protege mais do que uma boa pegada. sem discussão.

e as fotos da dolce têm sempre essa conotação sequissualizada. ou seja: palmas pra foto e vaias pela viadagem de retirá-lo do ar.


amanhã é dia do pene ao molho de aspargos preparados em papilotte, que o rafael aprendeu[?] com o oliver.


pitacos:

Quarta-feira, Março 07, 2007




tadinha dela.
a nova é que ela saiu correndo na clínica onde ela tá internada dizendo que é o anticristo.
antes fosse, coitada.



pitacos:

Sábado, Março 03, 2007




essa semana teve um monte de assuntos interessantes que eu queria colocar aqui, como o caso da mãe que perdeu a guarda do filho por causa da obesidade do menino. mas fiquei sem net e os assuntos venceram.

purisso, continuo com os meus posts egocêntricos.
como eu não tenho fotolog [cogito a possiblidadde de fazer um], vou usando esse espaço para colocar coisas da minha vida. temos dessas coisas de querer nos expor, gratuitamente. de escancarar a privacidade. todos nós, sujeitos pós-modernos, temos um tanto de paris hilton dentro da gente, eu já disse.

então, apresento aos senhores a vista da janela da minha nova casa. é a avenida barão de itapura, pra quem não sabe.
e por falar em janela, ela é indecente, como disse minha vó. com esse novo horário, 5 horas da manhã ela já apresenta uma claridade do tamanho do mundo. é uma coisa absurda. mas antes assim do que uma coisa abafada, não é mesmo, minha gente?! mas o fato é que eu preciso criar vergonha na cara e ir ao leroy comprar uma persiana ou algo do tipo [eu preciso aprender a dirigir logo].

ah, e antes queu me esqueça: estou aceitando presentes-lembrancinhas, ok?! xícaras, escorredor de pratos, uma mesa pra cozinha, jogo de jantar, etc.

e dos meus amigos, eu espero a visita.
saravá.


pitacos:

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